Pular para o conteúdo principal

Nunca estaremos preparados

Talvez tenhamos o costume de neglicenciar a morte. Acreditamos estar preparados para lidar com ela, mas ela se apresenta de tantas maneiras diferentes, que acho que nunca estaremos realmente preparados para tudo o que pode acontecer. Obviamente eu não estava pronto nesta última sexta-feira.

Durante a minha aula para os formandos do curso de Tecnologia em Sistemas de Telecomunicações um dos alunos desmaiou, teve convulsões e parou de respirar. Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance naquele momento e, após uma hora de muita angústia, infelizmente, o aluno faleceu.

Ainda não consigo descrever o que estou sentindo e nem sei se processei completamente tudo o que aconteceu, mas sei que, mesmo conhecendo esse aluno há poucas semanas, aprendi uma lição bem importante vendo a história dele. Ele fazia esse curso superior por pura realização pessoal, já que a sua vida profissional era muito bem sucedida.

A relação que desenvolvemos com os alunos sempre envolve algum tipo de troca, mesmo não evoluindo para uma amizade extraclasse. Eles aprendem com a gente e a gente aprende com eles. Desta vez, quem aprendeu fui eu. Fui relembrado do quão vulneráveis somos e de que precisamos fazer o que gostamos e o que nos realiza pessoal e profissionalmente enquanto temos tempo. Além de tudo isso, aprendi também que precisamos nos preparar melhor para essas situações, individual e coletivamente, por mais que nunca estejamos completamente preparados para tudo.

Sinto muito pelo ocorrido e desejo força aos familiares e aos amigos.


Comentários



Postagens mais visitadas deste blog

Participe do WebMedia for Everyone, um fórum sobre diversidade e inclusão no maior evento brasileiro de sistemas multimídia e web

Em 2022, o WebMedia está lançando a iniciativa WebMedia for Everyone (W4E), um fórum para discussões relacionadas a como a comunidade do WebMedia poderia contribuir para incentivar a diversidade e a inclusão em diversas perspectivas, incluindo pesquisas e projetos de extensão. A proposta é fomentar discussões e encaminhamentos para criar e potencializar iniciativas que sejam agentes de transformação social. O W4E conta com o apoio do CGI.br / NIC.br. O painel terá a presença de Vagner Diniz (NIC.br / Instituto Camila e Luiz Taliberti / Mover-se na Web), Nathally Souza (Tech Lead Itaú / PretaLab), Camila Bellato (Zup Innovation), Reinaldo Ferraz (NIC.br ) e Erica Marques (Sprint XP e Google Brasil Curitiba), com mediação de Debora Saade (UFF) e Roberto Pereira (UFPR). O acesso ao W4E será gratuito , ou seja, não está vinculado à inscrição no WebMedia 2022. Estou auxiliando na organização do evento e considero a oportunidade imperdível para toda a comunidade da UTFPR e da região. ✓Qua...

Proposta de operacionalização da oferta de atividades de ensino remoto emergencial em universidades durante a pandemia

A disseminação do meu texto de reflexões sobre o retorno às atividades de ensino remoto durante o período de isolamento devido à COVID-19 teve um impacto bastante positivo nas discussões que tive com vários colegas, tanto da UTFPR, quanto de outras instituições de ensino. Ressalto que não tenho formação em educação e não domino ferramentas e métodos de ensino inovadores ou à distância, porém acompanho a realidade de uma universidade centenária e, com base nas dificuldades enfrentadas, tento oferecer a minha contribuição. Um grande assunto em discussão é a operacionalização das atividades de ensino durante a pandemia do coronavírus em universidades públicas , o que tem dividido opiniões. Certamente não existe uma solução universal para um problema tão cheio de nuances, mas o diálogo nos ajuda a construir soluções que, preferencialmente, deveriam ser mais inclusivas e menos burocráticas. Antes de apresentar algumas ideias que considero fundamentais para uma melhor operacionalização dest...

"Leia as placas, Daniel!" - #DicadeViagem

Com a quantidade de aplicativos que a gente dispõe atualmente para nos assistir em tudo o que pudermos precisar, já dá pra imaginar que existem vários exclusivamente dedicados a viagens, certo? O Google Maps é o campeão para encontrar os trajetos mais curtos, identificar onde estamos quando nos perdemos e para procurar os melhores estabelecimentos das redondezas . Porém (é claro que há um porém), estes aplicativos e tecnologias nos deixam cegos para as coisas mais evidentes . Morei um ano na Inglaterra durante o meu doutorado e tive o prazer de viajar por alguns países europeus. Na maioria das minhas viagens, contei com a companhia da minha amiga que é a maior detentora de frases de impacto que eu conheço. Quando nos víamos perdidos em algum lugar, procurando freneticamente por uma direção nos nossos celulares, ela era a primeira a se tocar do óbvio e sempre me dizia: "Daniel, as placas! Leia as placas, Daniel!" . E essa frase nunca saiu da minha cabeça. Eu ADORO apl...