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Meus primeiros 3 anos como professor da UTFPR

No dia 10 de abril de 2017 haviam muitas situações que eu não fazia a menor ideia de que me seriam apresentadas nos três anos seguintes. Talvez a mais impactante de todas elas seja o fato de que, três anos depois, em 2020, este post esteja sendo escrito diretamente do meu home office devido ao isolamento para combate à pandemia do novo coronavírus. Com pandemia ou não, hoje completo três anos como Professor do Magistério Superior na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) - Campus Curitiba.


Muita coisa pode acontecer em três anos, algumas boas e outras nem tanto. Por exemplo, o fato de estar empregado em uma instituição centenária, reconhecida no Brasil e com um forte impacto regional, podendo atuar com Ensino, Pesquisa e Extensão para começar a devolver todo o investimento público feito na minha formação são excelentes motivos para comemorar. Por outro lado, enfrentar o julgamento de uma sociedade que rejeita a ciência e elege governantes que passam a colocar em prática um plano de sucateamento do ensino público superior de qualidade, pode não ser exatamente o que sonhei durante a minha formação para chegar até aqui.

Entretanto, mudando um pouco de assunto – até porque este post não tem a menor intenção de ser depressivo, muito pelo contrário –, estes três anos de UTFPR me oportunizaram conhecer pessoas fenomenais. Me refiro a professores, alunos, colegas de trabalho e pessoas próximas de todos estes que, em alguns casos, se tornaram amigos para toda a vida. Vou citar apenas um exemplo, até porque não vou conseguir citar todo mundo que gostaria neste post. Quando chegamos em Curitiba, eu e o João fomos calorosamente recepcionados pela Myriam, uma verdadeira madrinha nesse mundo novo que se apresentava pra gente em Curitiba. A partir dela, fomos conhecendo e formando um círculo de amizades e de contatos que teve e tem uma importância impossível de medir.

O Daniel de três anos atrás jamais imaginaria a bagagem de experiências que poderia carregar. Aliás, este post serve como uma carta aberta de pedido de desculpas aos primeiros alunos que caíram nas minhas mãos (😅). Minhas primeiras experiências em sala de aula, como ocorre com a maioria dos professores, foi, digamos, sofrida (tanto para os alunos, quanto pra mim). Um professor travado, com pouca habilidade de comunicação e com um novo "bicho de estimação" crescendo semana após semana: a ansiedade. Porém, esse mesmo professor tinha uma vontade incontrolável de melhorar os procedimentos de ensino-aprendizagem e uma responsabilidade do tamanho do mundo sempre pipocando em meio a um turbilhão de emoções. Obviamente que a experiência e o tempo resolvem tudo, mas foi um processo de muito suor e preparação até chegar ao estágio atual, onde eu acredito que consigo entregar uma experiência muito melhor em sala de aula. Por falar nisso, meus procedimentos em sala de aula nunca são iguais de um semestre para outro e eu espero que isso continue sendo uma verdade por muito tempo. O feedback dos alunos, felizmente, é muito positivo.

O Daniel, que saiu de Erechim em 2010 com um título de Bacharel em Ciência da Computação nem imaginava o que encontraria nos 10 anos seguintes. Aprendeu a fazer pesquisa em São Carlos, teve a oportunidade de morar um ano no exterior e, há três anos, anda com as próprias pernas orientando projetos de pesquisa. Os resultados ainda não são muito evidentes, mas há cada vez mais sementes plantadas, algumas germinando e outras quase prontas para colheita. A pesquisa é uma tarefa de investigação científica que te coloca em situações onde dá vontade de jogar tudo para o alto, mas, claro, como sempre existe a possibilidade de se coletar resultados importantes, vale a pena insistir. No "pior" dos casos, estamos formando profissionais conscientes e curiosos.

Aliás, a orientação de alunos merece um parágrafo à parte. Tive a sorte de conhecer alunos de graduação e mestrado que fizeram toda a diferença nesses meus três anos. Cada um com seu jeito, ideias, qualidades e dificuldades que ajudam a moldar o professor orientador que me tornei. Até agora, foram 10 Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) e 2 projetos de Iniciação Científica (IC) orientados/coorientados por mim. Estão em curso 8 projetos de Mestrado, 6 TCCs e 4 projetos de IC sob minha orientação/coorientação (aliás, tenho muita sorte também nas excelentes parcerias de orientação desses projetos). Todas essas orientações, concluídas ou em andamento, somam 42 estudantes!

Claro que nem tudo são flores sempre. No início de 2018 houve uma situação marcante, de maneira negativa, que foi a perda de um de nossos alunos em sala de aula. Apesar dos momentos de tensão durante e após o ocorrido, essa situação serviu como aprendizado.

No final de 2018 surgiu a oportunidade de passar a coordenar o curso superior de Tecnologia em Sistemas de Telecomunicações. O tamanho da responsabilidade é, sem dúvida, enorme, mas o aprendizado seguiu e segue a mesma linha. Passei a entender processos que não fazia ideia de como funcionavam, a ter uma consciência maior de legislações de cursos de graduação e a entender melhor de gestão. Foi nesse momento, também, que outra pessoa fundamental para a minha trajetória passou a estar mais próxima: a Tânia, parceira em muitas ideias e projetos. Tiramos do papel, entre outras iniciativas, a 1ª Semana Acadêmica de Telecomunicações. Falei sobre tudo isso em um post exclusivo sobre o assunto.

Já o Daniel envolvido com projetos de Extensão ainda tem muito a desempenhar, mas está com alguns caminhos trilhados também. Estão na agenda mais eventos acadêmicos, projetos para auxílio no combate ao COVID-19, assistência ao ensino e ferramentas de disseminação de conhecimento como o Blog Cafezíneos (onde você me lê neste momento) e o Cafezíneos Podcast.

Isso é tudo? Não. Essas foram todas as pessoas que me ajudaram? Claro que não. Por mais que hoje a universidade e seus professores estejam sendo constantemente atacados, este é só o começo das minhas contribuições. Eu termino hoje o meu estágio probatório e passo a ser membro efetivo do quadro de docentes de uma universidade federal brasileira. Vou continuar devolvendo todo o investimento público feito em mim dia após dia, ano após ano. 

Contem sempre comigo!

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